Relações Ecológico-Humanas dos Habitantes de Várzea Grande e o
Parque Nacional da Serra da Capivara
A presente seção representa a síntese e o aprofundamento das discussões travadas
nos itens anteriores. Até aqui, tomou-se como contexto a ampla visão da área de estudo,
composta pelo município de São Raimundo Nonato e pelo Parque Nacional da Serra da
Capivara, procurando-se entender os processos de relações Homem/Meio Ambiente, de forma
holística, de acordo com os princípios norteadores da ecologia humana. Foi composto um
quadro contextual, onde os principais problemas sócio-econômicos e ambientais foram
abordados.
Neste item, todavia, restringe-se o foco do estudo na área do povoado de Várzea
Grande e sua interface com o PARNA da Serra da Capivara. Primeiramente, será traçado um
perfil sócio-econômico e ambiental do homem de Várzea Grande, considerando-se os principais
indicadores de qualidade de vida. Em seguida, será estudada a atividade das caieiras e suas
implicações ambientais, e por último, enfocar-se-á a problemática da criação do PARNA e seu
impacto sobre a comunidade local. Ao se estudar uma comunidade pequena, perde-se na
escala, todavia, quanto menor o microcosmo social, maior é a universalidade dos seus
processos, como pensa o dramaturgo espanhol Arrabal ( conforme comunicação pessoal ).
3.1. Perfil Ecológico-Humano da Várzea Grande
Os registros arqueológicos e a abundância das pinturas rupestres mostram que a
região da Várzea Grande foi habitada por diversas gerações de povos indígenas com grandes
talentos artísticos, expressos nas pinturas que retrataram cenas do cotidiano e da natureza,
especialmente a fauna, conforme discutimos no item III. 3.1. O povoamento ocidental europeu
de Várzea Grande, começou a se instalar na região no começo do século XIX e desenvolveuse
lentamente até atingir as características atuais. O perfil do Homem de Várzea Grande,
discutido abaixo, tenta desenhar o modo e a qualidade de vida da comunidade. De forma
sintética, selecionoaram-se as atividades, características e indicadores mais representativos da
comunidade.
A densidade demográfica de São Raimundo Nonato é baixa, 7,35 habitantes por
km2, sendo que a maior concentração demográfica está a sudoeste e na sede do município,
Certamente, a densidade habitacional de Várzea Grande é bem menor. Dos vinte e um
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domicílios 17, obteve-se um total de 126 habitantes, gerando uma média de 6 habitantes por
moradia, que é um índice compatível com o Nordeste, porém alto se comparado com a Região
Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A pirâmide etária apresenta distorções típicas de pequenas
populações instáveis; o baixo percentual dos menores de 4 anos pode ser explicado pela
mortalidade infantil, porém Araújo et al. ( 1991 ) ao interpretar a pirâmide etária de duas
comunidades próximas à Várzea Grande, atribuiu este fato a queda da natalidade provocada
por laqueaduras.
O estreitamento das faixas intermediárias produtivas é explicado pela migração
em busca de trabalho e estudo. Na faixa dos vinte aos trinta anos o percentual de mulher é
bem mais elevado; na faixa acima de 65 anos, há um percentual alto, devido ao apego a
região e a insensibilidade à migração. A importância da questão demográfica exige estudos
mais aprofundados, que fogem ao escopo deste trabalho.
O nível de instrução do povo de Várzea Grande é baixo, o índice de analfabetismo
chega a 60%, sendo menor nas faixas etárias mais jovens. Existem três escolas primárias, que
também atendem aos alunos dos sítios e fazendas. O índice de reprovação é alto, 35%. Além
disto, os alunos são afastados das escolas para trabalharem na época de plantio e colheita. A
formação das professoras é precária, geralmente, são adultas sem qualquer formação, apenas
alfabetizadas, que recebem rendimentos abaixo do salário mínimo. Há escola de segundo
grau somente em São Raimundo Nonato. Este quadro é semelhante em todos os povoados
da região do PARNA, com raras exceções ( IPARJ/FUNDHAM, 1987 ). O baixo padrão
instrucional do povo é um fator determinante nos seus modo e qualidade de vida, afetados
por problemas de todos os níveis, desde saúde/saneamento até manipulação política.
A água é o elemento natural mais importante na vida do sertanejo. Dos 25 domicílios
pesquisados, 22 usam água do açude, 19 tem cacimba de minação ( poço dágua ), 17 usam
o chafariz, cuja água vem da Serra da Capivara. A água é guardada em caldeirões, tambores
e potes. A situação de abastecimento fica precária no período seco do ano, quando o açude se
reduz a uma poça, onde chafurdam animais, porém, infelizmente, a água continua a ser usada,
o que contribui para o alto índice de verminose. Na seca, os povoados de São Raimundo
Nonato são socorridos por caminhões pipa, todavia, a distribuição de água é feita de forma
clientelista, pelo prefeito e vereadores que favorecem os seus currais eleitorais. Segundo
Amorim ( 1993 ), neste período é que coronéis e políticos mais lucram, pois, contratam
caminhões-pipa fantasma, ficando com os recursos, e a água não chega à população; é a
indústria da seca. Conforme tratamos no Cap. II item 1.3., o abastecimento depende muito
dos açudes, todavia, os poços artesianos fornecem água de boa qualidade. De acordo com o
professor Aldo Cunha Rebouças ( in Amorim, 1993 ), a estratégia da construção de grandes
açudes é equivocada, pois o Semi-Árido tem reservas de águas subterrâneas com potencial de
até 9 bilhões de metros cúbicos por ano, os poços profundos dispensam investimento com
captação, adução, tratamento, e certamente combateriam a indústria das secas. As águas
salobras produzidas pelos poços podem ser dessalinizadas por técnicas que utilizam fontes de
energia solar. As águas servidas são desperdiçadas, quando poderiam ser tratadas e reutilizadas
para outros fins que não sejam o consumo humano.
Em São Raimundo Nonato, como na maioria dos municípios brasileiros, não há
coleta do esgoto, tampouco em Várzea Grande, onde a amostragem revelou que a metade
dos domicílios não tem fossas sanitárias, e todos amontoam o lixo no fundo do quintal, sem
nenhum tratamento.
A simples observação dos moradores de Várzea Grande, revela pessoas de aparência
magra e crianças com raquitismo. Ao serem indagadas sobre as principais doenças que afetam
a família, a amostragem indicou três níveis de freqüência de respostas, que são:
17 Foram amostrados 25 domicílios, porém quatro questionários tiveram o quesito estrutura familiar prejudicado.
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a) Alta freqüência - diarréia, gripe, coração e coluna;
b) Média freqüência - dor de cabeça, chagas, derrame, hepatite;
c) Baixa freqüência - câncer, convulsão, paralisia infantil, sarampo.
Os moradores dos domicílios amostrados mostraram ter um largo conhecimento
da flora nativa e a sua utilização com fins terapêuticos. Para quase todas as dores e doenças
existem diversas plantas que são usadas com fins medicinais. Entretanto, usam também remédios
alopáticos, atendem as campanhas de vacinação, e pulverizações sanitárias são feitas pela
SUCAM ( Superintendência de Campanha Contra a Malária ).
A FIOCRUZ ( Fundação Osvaldo Cruz ) tem trabalhado na área de estudo e verificou
que as crianças menores de cinco anos sofrem de uma alta prevalência de desnutrição protéicocal
órica (60%). As crianças apresentam mucosas hipocoradas, pele e cabelos ressecados e
edemas, sintomas do parasitismo por Ancilostomídeos, Entamoeba, Tênia e outros. A doença
de Chagas é freqüente na área e a SUCAM diz estar combatendo. Com este quadro, fecha-se
o Clássico ciclo de pobreza-desnutrição-verminose-diarréia ( ARAÚJO et al., 1991; IPARJ/
FUNDHAM, 1987 ). É necessário combater este quadro, incentivando o uso dos conhecimentos
da medicina natural popular, bem como o tratamento nos postos de saúde.
As moradias dos habitantes de Várzea Grande são de alvenaria com paredes
rebocadas e telhas coloniais. Tijolos, telhas e madeiras são produzidos nas redondezas. As
casas da rua principal (BR-020) são maiores e os cômodos frontais são usados para algum
tipo de comércio. De acordo com a amostragem, metade dos domicílios tem privadas com
fossa; um quarto possui quintais com canteiros para verduras, plantas frutíferas e medicinais
para o uso cotidiano. Dentre 25 casas amostradas, 20 são próprias, 5 cedidas, nenhuma alugada.
As casas dos sítios são de taipa, sem reboco, o que facilita a proliferação do vetor da doença
de Chagas o barbeiro ( Triatomídeo ). Segundo IPARJ/FUNDHAM ( 1987 ), muitas famílias
possuem também uma casa de roça que tem um cômodo, construída com madeira nativa,
e usada nos dias de trabalho nas épocas de plantio, capina e colheita.
Lima ( 1984 ) enfatiza que na ecologia humana, para a compreensão do processo
interativo homem-natureza é essencial o entendimento das relações de trabalho e o modo de
produção da comunidade em estudo. A amostragem realizada na Várzea Grande revelou que
a totalidade dos cabeças de família, exercem, ao menos uma vez por ano, a atividade de
agricultor. Outras profissões são referidas como associadas à atividade de agricultura, tendo a
maior freqüência ( 28% ): profissões ligadas ao corte, transporte e consumo de lenha ( caieireira,
lenhador, motorista, pedreiro e oleiro ). Existem muitos pontos de comércio e bodegas, mas a
extração de lenha para as caieiras já mobiliza 28% da mão-de-obra, especialmente no período
seco do ano. O rendimento familiar médio mensal ( domicílio com 6 pessoas, foi estimado em
Cr$ 30.000,00, equivalentes a US$ 59 (em 1991), quando o salário mínimo era de Cr$
42.000,00 (US$ 82). Quando os anos secos se sucedem, aumenta o desemprego e cresce a
emigração, dirigida principalmente para São Paulo, Brasília, Goiás, Pará e São Raimundo
Nonato. São então criadas as frentes de emergência, onde os trabalhadores são contratados
para tarefas, como construção de barragens, caldeirões, estradas, capina, em troca de pequenos
soldos. Quando começa a chover, muitos migrantes retornam.
A investigação da produção agrícola, baseada na amostragem, revelou que produzse
basicamente milho, feijão, mandioca e caju. Dentre 25 entrevistados, 19 plantam milho, à
média de 1,8 ha por propriedade por ano, que produz uma média de 8,7 sacos por hectare
por ano; segundo o Censo Agropecuário ( 1985 ) a produção média de São Raimundo Nonato
foi de 7 sacos/ha.18 Dezesseis propriedades plantam feijão, à média de 1,4 ha/propriedade/
ano, que produzem 3 sacos/ha/a, enquanto a produção média de São Raimundo Nonato foi
18 Cada saco pesa 60 Kg.
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de 4 sacos/ha/a. Somente três propriedades informaram o plantio de mandioca, e uma, o
plantio de caju. Os agricultores revelaram que comercializam 30% da produção do milho e
20% do feijão. Boa parte do milho é usada para alimentar os animais, e o feijão é para
consumo humano. As técnicas de plantio são rudimentares, usando-se o arado puxado por
animais e enxada; e somente um entrevistado possui trator; 60% usam sementes próprias,
30% usam sementes compradas, em secas prolongadas a tendência é consumir as sementes
reservadas para o plantio; 40% usam adubo ou agrotóxico. Doze dos entrevistados receberam
apoio do Projeto Sertanejo. Todos mantêm um bosque de reserva para extração de madeira,
umbu e mel. As madeiras mais usadas para a construção das moradias são, birro (Diptychandra
epunctata), angico ( Andira vermifugo ), aroeira ( Astronium urundeuva ), vara branca ( elicteres
spp .), pau darco ( Tabebuia spp. ); as espécies mais usadas para fazer cercas são, birro
(Croton spp ), marmeleiro ( Alibertia sp. ), cangaeiro ( Pterodum abruptus ), que duram em
torno de dez anos; as espécies preferidas para o consumo doméstico são, marmeleiro ( Alibertia
sp. ), cangaeiro ( Pterodon abruptus ), pau-de-rato ( Caesalpinia bracteosa ), jurema ( Mimosa
spp., Acácia spp. ).
Não foi possível avaliar quantitativamente o rebanho total de Várzea Grande, todavia
há uma composição qualitativa semelhante a São Raimundo Nonato, onde o maior rebanho
é de caprinos, seguido de suínos e bovinos ( Tabela 7 ). É grande a proliferação de muares,
que são empregados para o transporte, especialmente de água. A pecuária é extensiva. Dos
25 entrevistados, 9 informaram que o gado é criado livre, e quatro que o gado é criado
estabulado. Quatorze criadores responderam que criam gado para consumo e 9 responderam
que criam para consumo e venda. Emperaire ( 1987 ) avaliou que a Várzea Grande foi um
dos centros pecuários mais importantes de São Raimundo Nonato, exportador para outros
estados durante o ciclo da cana-de-açúcar. Hoje a criação é voltada para o consumo familiar
de leite e carne; poucos fazendeiros possuem grandes rebanhos. O rebanho é atacado por
verminoses, aftosa e bicheira, e durante secas prolongadas quase todo gado sucumbe.
Silva et al. ( 1986 ), concluiu que existe um elevado grau de concentração de terra
no Piauí, que tem uma relação causal com a concentração de renda. Em São Raimundo
Nonato, ocorreu um processo de concentração crescente de terras, a partir de 1950. Em 1982,
apenas 5% da superfície eram ocupadas por 54% dos estabelecimentos, com o tamanho da
ordem de 10 a 50ha; dos informantes, 95% se declararam proprietários. Os principais fatores
limitantes da produção agropecuária são:
a) irregularidade pluviométrica;
b) injusta concentração de terra;
c) falta de assistência técnica;
d) falta de armazéns;
e) inexistência de cooperativas;
f) o mais grave fator é a dificuldade ao acesso do crédito bancário para financiar a
produção (IPARJ/FUNDHAM, 1987 ).
O comércio em Várzea Grande tem um caráter local, com a presença de empórios,
bares e bodegas, que se concentram na rua principal. Os empórios maiores pertencem a
grandes proprietários de terras e de caminhões que transportam madeira e cal, que mantêm
relações comerciais com os caieireiros.
O Parque Nacional da Serra da Capivara e o seu entorno, inclusive a Várzea Grande,
contêm um dos mais importantes patrimônios cultural e arqueológico do país. A cultura pretérita
de Várzea Grande foi muito rica, porém, sua cultura recente tem sido influenciada por fatores
exteriores. Entre os cidadãos varzeanos, os laços familiares são fortes e a base da sociedade é
a família nuclear (marido, mulher e filhos), que também é a unidade de produção e consumo.
Tanto em São Raimundo Nonato como em Várzea Grande, existem grandes famílias
tradicionais, ocorrendo muito casamento interparental. Geralmente, no meio rural, os filhos
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ao se casarem, constroem uma nova moradia na propriedade do pai ou sogro, ou abrem
novas roças em posse onde é muito comum a troca de dias de trabalho entre parentes e
compadres. Existe um código de honra, baseado na união familiar e na valentia, em que o
assassinato de um membro da família é cobrado com a morte de qualquer pessoa, em qualquer
tempo, da outra família ( IPARJ/FUNDHAM, 1987 ).
A religião católica é majoritária entre os cidadãos de São Raimundo Nonato e
Várzea Grande, porém o protestantismo tem crescido paulatinamente. Os santos padroeiros
são reverenciados em grandes festas regionais, São Raimundo Nonato em 31 de agosto e São
Pedro, que é o padroeiro da Várzea Grande, comemorado em 29 de junho. Existe, também,
uma grande devoção por São Gonçalo, cujas Rodas de São Gonçalo ocorrem o ano inteiro,
com a participação de grupos musicais e de dança, onde são usados ornamentos de cipó com
flores silvestres. O Reizado ainda é cultuado, com grupos de músicos e cantores que se deslocam
de casa em casa.
Resumindo o exposto acima, pode-se afirmar que as condições sociais gerais da
comunidade são precárias. A renda familiar média, US$ 58, está abaixo da linha da miséria,
que segundo o Banco Mundial é US$ 60. A densidade populacional é baixa, mas a prole é
numerosa. O nível de analfabetismo é alto. A água é escassa e as condições de saneamento
ruins. A desnutrição é evidente e há alto índice de parasitismo. As habitações são razoáveis,
embora ainda haja taipa. A atividade mais importante e impactante é a agropecuária; a extração
de madeira e as caieiras empregam boa parte da mão-de-obra, mas são altamente
desagregadoras do meio ambiente. Apesar dos percalços da vida difícil, o cidadão varzeano
mantém os seus cultos religiosos e tradições culturais vivos.
A SUDENE tem desenvolvido um sistema de informações, que foi implantado em
1979, o Sistema Regional de Indicadores Sociais do Nordeste ( SIRI ), que dispõe de uma
listagem de 132 indicadores, divididos em 11 grupos. SUDENE ( 1987:204 ), ao analisar os
resultados da política regional e a pobreza social, entende que o crescimento econômico não
se refletiu, direta e extensivamente, na melhoria dos padrões sociais, pois, empobreceu a
vida na feroz ilusão de enriquecê-la. Assim, o Nordeste detém as mais altas taxas de mortalidade
infantil do Brasil; o menor índice de esperança de vida ao nascer ( em torno de 50 anos );
metade dos analfabetos do País ( cerca de 11 milhões de pessoas ); baixíssimos índices de
rendimento ( 36% estão classificados na faixa de subutilização da força de trabalho ); 89% da
renda está concentrada na metade mais rica, e 11% na metade mais pobre que é submetida a
condições subumanas ( op. cit. ).
O IPEA (1993) no MAPA da FOME II: Informações Sobre a Indigência por
Municípios da Federação, baseado em metodologia da CEPAL e segundo os requerimentos
nutricionais recomendados pela FAO/OMS/ONU, concluiu que no Município de São Raimundo
Nonato existem 9.225 famílias em estado de indigência. Apesar deste quadro, o importante é
que o povo continua trabalhando e lutando contra a injustiça social, e cabe ao governo, à
universidade, aos intelectuais e a todos o segmentos da sociedade buscarem alternativas em
todos os campos para viabilizar o desenvolvimento sustentado no Nordeste.
3.2. As Caieiras
A atividade caieireira se constitui numa das principais ocupações e problemas do
povo de Várzea Grande, por isso mereceu um estudo detalhado. As caieiras estão localizadas,
aproximadamente, 10 km a sudeste do povoamento, nas proximidades do PARNA. A atividade
caieireira iniciou-se em 1958, no entorno dos maciços calcários, localizados nos sopés do
front de cuesta, na região de Várzea Grande. Os maciços mais importantes são: o Boqueirão
da Pedra Furada, Morro do Garrincho ( onde já se produziu cimento ) e os Serrotes do Antônião
e do Artur, onde estão as caieiras. Os serrotes calcários, são componentes do grupo Salgueiro,
têm formas arredondadas ou ovais, constituídos de calcário intraformacional de fácies muito
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finas e marmorizado, finamente estratificado, de cor cinza.
A caieira constitui-se de um forno aberto, de queima direta. O forno tem o formato
cônico, com 4,8m de altura; 5,2m de diâmetro na base; 4,2m de diâmetro no topo e paredes
de 0,7m. Suas medidas internas são: 4m de diâmetro na base; 3,20m de altura e 0,8m de
profundidade ( abaixo da superfície ). A caieira tem três janelas de 0,6m de diâmetro, na
altura do solo, onde é introduzida a lenha e retirada a cinza.
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