quinta-feira, 28 de maio de 2009

ASPECTOS HUMANOS MACROJÊ

. ASPECTOS HUMANOS
3.1. As Ocupações Humanas Pré-históricas
A região de São Raimundo Nonato e do Parque Nacional da Serra da Capivara é
profícua em sítios arqueológicos. Já foram catalogados mais de trezentos e sessenta sítios que
contêm inscrições rupestres, material lítico e cerâmicas. A arqueóloga Niede Guidon, juntamente
com os pesquisadores do Museu do Homem Americano, trabalha na área desde 1973, tendo
realizado importantes descobertas para a compreensão da trajetória do homem ancestral
americano. Para GUIDON ( 1990 ), estas descobertas colocam em cheque a hipótese da
colonização da América, através do estreito de Behring, que limita a presença humana há
apenas 12.000 anos A.P. ( antes do presente ). A arte figurativa, que retrata os relatos das
crenças, hábitos, figuras animais, e geométricas, surgiu somente há 12 milênios ( GUIDON,
1990; GUIDON & DELÍBRIAS, 1986 ).
Os caçadores e coletores do Pleistoceno deixaram seus registros na Toca do
Boqueirão da Pedra Furada, que foram datados por PARENTI et al. ( 1990 ), com 14C, em até
47 mil anos A.P. Os homens do pleistoceno dependiam dos recursos naturais da região, como
a água, as plantas e os animais, cujos vestígios são encontrados próximos às fogueiras pré-
históricas. Para SCHMITZ ( 1990 ), o Nordeste funcionou como um centro irradiador de
populações e culturas para outras áreas.
No transcurso do Holoceno ( 12.000 a 3.000 anos A.P. ), influenciaram fatores
ambientais que propiciaram a expansão das populações dos caçadores-coletores da região
Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. O período que vai de 12.000 a 6.000 anos A.P., caracterizouse
pela intensificação da produção de material lítico de boa qualidade e da arte rupestre na
região de São Raimundo Nonato. O seu apogeu foi atingido há aproximadamente 6.000 anos
A.P. A bela arte produzida por estes povos, denomina-se tradição Nordeste. A partir daí, parece
ter ocorrido uma aridificação do clima, migrações e decadência da arte rupestre, com a
dominância da tradição Agreste que desaparece aproximadamente há 3.000 anos A.P.
36 Série Meio Ambiente Debate, 13
(SCHMITZ 1990; GUIDON, 1990; IBAMA, 1991 ).
Aproximadamente há 3.000 anos A.P., surgiram no sudeste do Piauí, populações
que praticavam a agricultura, fabricavam cerâmicas e teciam. Apesar da abundância dos restos
de cerâmicas e vestígios sobre este período, existem raros estudos como o de MARANCA
(1976 ). As aldeias eram circulares e densamente povoadas. Plantavam feijão, milho, amendoim
e cabaça. Produziam artefatos de pedra mais sofisticados como machados polidos e diversos
utensílios de cerâmica de boa qualidade. Havia rituais para os mortos que eram envolvidos
em um tecido de caroá e depositados em urnas de cerâmicas ( MONZON, 1980 ).
3.2. As Tribos Indígenas
A história étnica dos índios do Piauí é semelhante a história das populações indígenas
do Brasil e da América: a partir do descobrimento, foram dizimados pelos colonizadores
europeus.
Existem poucos estudos sobre os povos indígenas do Piauí, porém, o antropólogo
Luiz MOTT ( 1985 ) realizou uma investigação histórica, baseada em provas documentais.6
Ao analisar a literatura, observa-se que o grupo da língua Jê é composto por diversas tribos
como os Pimenteiras, Acroás, Macoazes, Cherens, Gueguêz, Kamakam e Jeicó. O grupo de
língua Cariri ainda sobrevive no nordeste e teve tribos de Cariri e Tremembé. Cabe ressaltar
que os índios Pimenteiras aparecem freqüentemente nos relatos, desde o século XVII, e
ocupavam grande extensão, porém, segundo Mott, foram dizimados entre 1776 e 1784.
No começo da colonização do Piauí e da região de São Raimundo Nonato existiam
os índios das seguintes tribos indígenas: os Pimenteiras, que dominavam toda a região do alto
Piauí e alto Gurguéia; os Acroás, Gueguêz e os Kamakan, que habitavam provavelmente até
São Raimundo Nonato; Os Cariri, que habitam, ainda hoje, a Bahia e Pernambuco e os
Tremembé que habitavam do rio Gurupi até o rio Apodi. Os estudos etnográficos, pouco
precisos, poderão ser elucidados com as investigações no campo da arqueologia ( MISSÃO
FRANCO-BRASILEIRA, 1978 ).
3.3. A Colonização Européia
Um dos primeiros bandeirantes a desbravar o Piauí, foi Domingos Jorge Velho em
1662. Domingos Afonso Sertão, o “mafrense”, chegou ao Piauí em 1794, tendo partido do
vale do São Francisco, onde possuía fazendas, com o fito de expandir seus domínios. Esta
ocupação, é claro, só foi possível com a eliminação das tribos indígenas. O comandante José
Dias foi ordenado para conquistar a região de São Raimundo Nonato, o que resultou na
dizimação das tribos ( MOTT, 1985 ).
A conquista do Piauí se deu em conseqüência da expansão da economia açucareira.
As terras do Piauí não eram próprias ao plantio, porém possibilitaram o desenvolvimento
pastoril, transformando-se na principal área pastoril do Nordeste, sendo considerada por séculos
como o “curral e açougue” das áreas canavieiras. Em 1697, o Piauí já tinha 129 fazendas de
gado; em 1730, 400 fazendas; em 1772, 578 fazendas e em 1818, 795 fazendas. A pecuária
tornou-se o mais importante fator econômico do Piauí, porém, a partir de 1760, passou a
sofrer a concorrência de Minas Gerais. As terras para o uso agrícola começaram a ser utilizadas
nos espaços desocupados entre as fazendas. A agricultura praticada era exclusivamente para
fins de subsistência ( MOTT, 1985 ).
A evolução político-administrativa do município de São Raimundo Nonato, tem
como ponto de partida a doação da fazenda Conceição, propriedade do “Mafrense”, aos
jesuítas, que construíram uma casa e deram o nome de Sobrado da Conceição. O lugar
6 Luiz R. B. MOTT. 1985. Piauí Colonial; população, economia e sociedade. Governo do Estado do Piauí, Teresina, 144p. Nos referimos ao
artigo que tem por título: Etno-história dos índios do Piauí Colonial..
Série Meio Ambiente Debate, 13 37
denominado Confusões, foi elevado à condiçãode Distrito Eclesiástico de São Raimundo
Nonato por Decreto Imperial em 1832. O município foi criado em 1850, a comarca em 1859,
e adquiriu o Foro de Cidade em 1912. Por ser um municípiomuito extenso, São Raimundo
Nonato sofreu vários desmembramentos ( IBGE, 1984 ).

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